Meu lanche das horas, conto de João Pinto




O pão faço eu, a mão habilita e sova leve, há de ter descanso, medida de fermento e leveza na massa quando se toca, acender fogo, dourá-lo, por na mesa com café, conclamar teus lábios e teu sorriso, almoçar comigo o sacrifício feito numa pedra de mármore, e arrotar sem remorso, e anotar meu endereço, que fica não longe dos teus olhos, é um pulo para ti porque tens tua lambreta, com pouca gasolina se chega, e se não tiver dinheiro, te dou, minha senhora, meu cartão de crédito, ainda não findou o mês, acho que a reserva dos meus níqueis não esgotou. Venha, pois me chame seu amor puritano, o tempo urge assassino, tão rotineiro e esguio que os traços da minha caneta se esgotam sorrateiramente, hoje sou vivo, pouco sei se amanhã acordo e tenho gosto para te chamar nesta noite meu lanche das horas.





João Pinto é natural de Luzilândia (PI), radicado no Amazonas, onde foi professor por quase 40 anos. É autor de três livros de contos: Luzes esvaídas (PI, projeto Petrônio Portela), O ditador da terra do sol e Contos de uma aula em vermelho , ambos editados pela Editora Valer. Sua obra mais recente é o romance As Pedras doentes da rua do fio , alcançando duas edições; a primeira pela Caravana Editorial e a segunda pela Valer. João Pinto escreve com frequência crônicas e contos postados nas mídias digitais, especialmente em sites literários. Seus livros são, não raramente, ambientados em três paisagens: Luzilândia, Teresina e Amazonas.

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