
Créditos: Formas do silêncio, imagem extraída de José Art Gallery
Espetacular
Quereria eu uma forte partida
sem o novo
esse adeus
quereria eu um beijo socorrido
por uma moça sozinha
que não me prendesse
com falsos poemas
que nos consertos de megafones
clássicos de um neotabu
enquanto espero
não me ser ruptura
as entrelinhas da moça
crianças falam
em língua estrangeira
e meus torpedos
preguiçam as boas novas
dos bestiários
minha rapsódia
no meu vadio crivo
goza de gírias em pó
ante os filmes de gângsteres
discursos transbordam aquários
escorrem pelas obras-primas
do tráfego
evaporam no calor do asfalto
esse congado cuspindo cajuína
publicado nas palavras
degraus sacodem seus destroços
de cimento levado pelo vento
ateliê de flores baldias
cheiro de ruínas em cartões-postais
que eu me alcance
no silêncio das bibliotecas

G. Monteiro é poeta, contista, ensaísta e um dos editores e colunistas do site Amaité Poesia & Cia. Editou, junto com o escritor João Pinto, o espaço virtual Contos entre Paisagens, de 2019 a 2023. Seus textos integram várias coletâneas e antologias através de concurso literário. Escreveu o livro de contos Paradeiro (2016), os de poesias Depois das horas (2021), Gestos do nada (Litteralux, 2026) e O direito à imagem (no prelo).
Respostas de 2
O novo, ao se abraçar às convenções – sem a necessidade e as expectativas de as atualizar -, arremata ponto no cotidiano comum. Não se beira a realidade, a realidade é bebida e digerida e as letras nos socorrem da ressaca e da fadiga do dia seguinte e dos dias vindouros.
Brilhante, G. Monteiro.
Sempre nobre e motivador uma leitura inesperada, nova no sentido de extravasar “minhas gênesis”.
Assim, novo poema a leitura criativa me concebe. Sem desconsiderar que há limites, coerências de pensamentos, o leitor Nairton surpreende sem benefício próprio ao fazer uma leitura pessoal, singular, e dentro das possibilidades de que o poema se alimenta, constrói -se, sustenta-se. Fico feliz por conseguir oportunizar uma extensão de mim no outro.