
SINOPSE:
Em um futuro distópico, O evangelho segundo as HQs apresenta poemas que questionam a origem e a moralidade dos heróis modernos. Através de supostos evangelhos apócrifos, a obra sugere que esses ícones da cultura pop são, na verdade, sombras de um passado ancestral, originados da hibridização entre anjos caídos e humanos. A “possessão tecnológica” é retratada como uma nova forma de escravidão, com a inteligência artificial dominando a mente humana e ameaçando a liberdade individual. O livro tece uma crítica à sociedade contemporânea, denunciando a manipulação das massas, a perda de valores e a crescente decadência moral. Em meio ao caos, a poesia surge como um ato de resistência, buscando uma linguagem pura e transcendente para expressar a verdade e alcançar a redenção.
CONFIRA 2 POEMAS:
O Evangelho Segundo Rorschach
O espelho devora a face
Orides Fontela
4
Posso mudar quase tudo, mas não posso mudar a natureza humana — disse o Dr. Manhattan. Não sou eu quem fala agora. Não sou eu no espelho. Nenhum espelho pode conter a minha face. Nenhum espelho pode reconhecer o meu rosto debaixo dessa máscara. Sou o verme que a moda imolou, a coisa que a sociedade sonhou em sua quimera fetichista e disforme. Seu pesadelo de consumo. Sou o grito desesperado que a humanidade ainda não ouviu. Mas nos encontraremos às margens desse Mar Morto. E não faltará o estrume para que a erva daninha cresça como música. Onde o sangue seco se cala. Onde a velha sede canta a negra Carne do Ócio.
Uma geração de gente fraca, mimada. estúpida, que abana o rabo para o sistema. Vocês, comedores de carne sintética, ativistas de merda, se fantasiando de animais, andando de quatro pelas ruas, com suas coleiras, vocês me fazem sentir vergonha de fazer parte da raça humana. Repito:
Por que tão poucos de nós permanecem ativos, saudáveis e sem transtornos de personalidade?
Obsolescência Programada. Vício em telas.
Humanidade adestrada para recompensas de curto prazo — fácil manipulação.
CINEMA PREDITIVO
ENTRETENIMENTO PREDITIVO
A TV que me assiste, o celular que lê meus pensamentos e me controla.
A história é uma farsa e o mundo, ao seu redor, um teatro.
Sabem disso as Crianças da Lua; o Clube dos Nove:
Victor von Doom
Dr. Stephen Strange
Anthony Edward Stark
Erik Magnus Lehnsherr
Arkady Gregorivich Rossovich
En Sabah Nur
Lex Luthor
Jared Corey Kushner
Adrian Alexander Veidt
Dos portais abertos pelo LHC ao Doomsday.
A razão humana é o veneno da víbora. O Louco confundirá o Sábio.
***
Asteroide B-612
Os baobás crescem no meu jardim;
descansamos sob a sombra
das árvores descarnadas.
Cada grão de areia, uma montanha.
E não precisamos ter pressa;
um dia todo mundo vai morrer.
Seus olhos à noite
dos astros é o tormento
na flor do firmamento.
Uma rosa é uma rosa é uma rocha é uma prosa.
Uma árvore descarnada já nasce cancerosa.
E agora você decide
que os vulcões não vão mais queimar seus sonhos,
mesmo que cada rosa seja única.
A Nave Mãe destroçada no quintal do Mundo
a Raposa a Serpente o Deserto a Criança
o Homem a Besta-Fera os Anjos Caídos
e a nudez do seu crepúsculo.
Vou trancar o meu planeta e viajar pelo espaço;
era esse o nosso plano;
radiação estelar e a música dos átomos,
escuridão pulsante, o Éter da Noite Eterna.
Quando destruímos a nossa Galáxia
com suas estrelas
planetas & asteroides?
Quando foi que desejamos o que não podíamos?
Trabalhar além das fronteiras do nosso poder.
Quando foi que desejamos
ser mais e melhores do que o Criador?
Criar fora da Criação?
E nosso desejo tornou-se entropia
e quando o centro das Espirais não mais se sustentou,
tudo se desfez se aniquilou
Tudo caiu
de átomos à mó
de átomos à mó
de átomos à mó.
Perante o julgamento na Assembleia
da Cidade das Estrelas,
em prol dos direitos celestiais,
só nos restou a Queda como alternativa;
para pagar o Vaso Sagrado que despedaçamos,
para pegar um cometa
para descer cada vez mais na Toca da Raposa
até alcançar a matéria na terceira dimensão.
E rubras primaveras de sangue nasceram na sua Casa,
na Casa onde mora a sua tristeza,
a Casa do nosso desassossego.
No Deserto onde carregamos o peso de nossa Existência
enquanto o planeta Terra vomita
seus mortos nas avenidas dilaceradas e nas praias lotadas
das idiotas propagandas de cerveja,
da matança das baleias
e seus cantos brutais ressoando em meu peito.
Cemitério de Elefantes e o Vale dos Ossos Secos,
os mares que circundam toda a porção de terra
e nós dois decaídos separados.
Deu pane no avião a queda no Deserto
da sua Alma devastada
é o trovão no silêncio das gavetas,
os poemas escritos em ouro
no Livro da Vida.
Por tanto tempo procurei
seu nome junto ao meu
na Tábua Esmeraldina
E você não quis magoar ninguém,
mas agora sabemos que o Perdão é a chave
para abrir o Coração do Mundo.
A chave mestra para todas as Coisas
na imensidão dos Campos de Trigo,
no Jardim dos Juncos e das Roseiras
a Serpente à espera da inocência;
adeus à Criança
adeus à Raposa
adeus ao Homem
hora de partir voltar para Casa;
não para o velho e pequeno Asteroide
preso dentro da Roda Zodiacal,
mas para o nosso Lar Reconquistado além dos Céus.
O Selvagem Coração da Inocência pulsando
no Paraíso Perdido e já Resgatado
pela Instrução Encarnada;
o Verbo Homem.
E tudo será como antes,
porque todas as palavras
são Palavras de Amor.
***

Mateus Machado é anti-poeta, escritor e ensaísta, formado em gestão ambiental pela Faculdade Prof. Luís Rosa (Jundiaí). Em 1997 foi cofundador e diretor de cultura da AEPTI (Associação dos Escritores, Poetas e Trovadores de Itatiba-SP). Participou em antologias e na revista literária Beatrizos (Argentina), vencedor de prêmios literários, entre eles, Ocho Venado (México), e um dos finalistas do Mapa Cultural Paulista (edição 2002). Entre 2017 e 2018, foi aluno de música clássica indiana com o citarista, escritor, tradutor e poeta Alberto Marsicano. Autor dos livros publicados Origami de metal (poemas, Editora Pontes, 2005), com prefácio do poeta Thiago de Mello; A mulher vestida de sol (poemas, Editora Íbis Líbris, 2007); A beleza de todas as coisas (poemas, Editora Íbis Líbris, 2013), com prefácio de Alberto Marsicano, onde finalizou sua primeira etapa como anti-poeta; As hienas de Rimbaud (romance, Editora Desconcertos, 2018); 17 de junho de 1904 — O Dia que não amanheceu (ensaio, Editora Caravana, 2022), sobre a obra do escritor irlandês James Joyce, e Nerval (poemas, Editora Caravana, 2022), um livro de transição. Em 2023, iniciando uma nova fase no seu trabalho, publicou o primeiro livro da trilogia Poiesis Religare, intitulado YHVH, pela UICLAP, através de autopublicação. Agora, em 2025, está publicando o novo livro de poemas O Evangelho segundo as HQs, pela Editora Mondru, iniciando a sua segunda trilogia poética. Atualmente está finalizando o livro Um bode para Adonai — outro para Azazel. É autor do canal de literatura Biblioteca D Babel no YouTube.
Canal YouTube @bibliotecaDBabel
E-mail mateusmachadoescritor@gmail.com
Comprar livro O evangelho segundo as HQs
Instagram @poiesis_religare
Uma resposta
Um equilíbrio na insatisfação talvez seja o sentido de versos de um social adverso. A guerra declarada fica no pensamento concentrado na leitura particular dos poemas.