
A empresa decidiu investir na diversidade e lançou uma campanha interna chamada Mulheres que se Apoiam. O objetivo? Criar um ambiente de trabalho mais acolhedor, onde todas pudessem brilhar juntas.
Na teoria parecia maravilhoso.
Na prática, foi criado um grupo de WhatsApp onde mulheres se chamavam de “mana” e postavam frases motivacionais sobre união feminina, seguidas por indiretas passivo-agressivas nas reuniões e corredores.
Gente, precisamos dar mais espaço umas para as outras, né? — disse Valéria, a coordenadora do time, enquanto interrompia Marina pela terceira vez.
Se alguma conseguia uma promoção, todas comemoravam no grupo com emojis de foguinho e aplausos. Mas no café, os comentários eram outros:
Essa aí tá sempre se vendendo, né?
Toda semana havia uma iniciativa nova: happy hour de networking, mentoria para mulheres, palestras sobre equidade, tudo seguido de puxões de tapetes sutis e comentários deselegantes no make in off.
Certa vez, Camila esqueceu de incluir um anexo num e-mail. Paula, que vivia postando “Mulheres não competem, se levantam”, foi rápida no grupo do trabalho:
Oi, mana, percebi que seu e-mail foi sem o anexo. Acho que na sua correria você não viu… Mas já enviei corrigido pro chefe, tá? Beijos!
Paula, claro, foi promovida semanas depois.
Na festa de fim de ano, depois de alguns drinks, Ana abraçou Marina e sussurrou:
Você sabe que eu te admiro muito, né? Sempre digo que você tem um brilho único.
No dia seguinte, Marina descobriu que Ana sugeriu à diretoria que seu cargo fosse repensado.
No mês seguinte, Ana foi escolhida para representar a empresa no Fórum Mulheres no Mercado de Trabalho. Fez um discurso lindo sobre empatia feminina e como o verdadeiro sucesso só existe quando todas vencemos juntas.
Marina, agora desempregada, curtiu o post da empresa no Linkedin e comentou:
Sororidade é tudo!

Luk veio de onde a onda beija a areia (Ubatuba-SP). Encontrou na leitura um vício precoce, cortesia da mãe. Aos quinze, precisou trocar o barulho do mar pelo da metrópole de SP. Hoje, futuro psicólogo, estuda os mistérios da mente humana. Confessa que sua própria cabeça às vezes parece um livro de Clarice Lispector: denso, intenso e enigmático. Dizem que Paulo Leminski e Bukowski sussurram em seu ouvido nos momentos de inspiração, mas ele jura que é só o vento do litoral. Sua escrita é um reflexo dessa mistura: maresia, asfalto e uma boa dose de “não me leve tão a sério”.
Uma resposta
Amigo parabéns pelos vôos rasantes que vc tem dado, faremos parte sempre de sua platéia, seguindo, confraternizando e comemorando contigo sua constante evolução e conquistas. Vai que é tua menino Luk!