Um poema de Jurandyr Bezerra, tradução de Cunha e Silva Filho

Imagem retirada do reepp!k



Aos meus leitores que apreciam a leitura de um grande poema vertido para o inglês, apresento-lhes a minha versão. A seguir, transcrevo –o no original em português:
                 
 
POEM FOR IZABEL
 
Juradyr Bezerra*
 
In the beginning God created the heavens and the earth. And the earth was withotu form and void; and darkness was upon the face of the deep. And the spirit of God moced opon the face of the waters.(Gen. 1, 1-2)
  
And God let the light come
It was the first day of creation.
 
She came
with the light (before Eve)
and remained amongst us
she became full light
(almost eighty-two years old),
Sun, seen from within.
 
The sea knew nothing about fables.
But she did.
 
Izabel (mother), who was mine,
would have been Mary.
She bore a queen’s name
but not even a fairy-land
could hold her all-embracing love
 
Light buried in the ground
Bird
angel-size.
 
 
Poema para Izabel
 
Jurandir Bezerra*
 
No princípio Deus criou o céu e a terra. A terra, porém, estava informe e vazia, e as trevas cobriam a face do abismo, e o Espírito de Deus movia-se sobre as águas. (Gen. 1, 1-2)
 
Deus fez, então, a luz.
Era o primeiro dia da criação.
 
Ela veio
Com a luz (antes de Eva)
E ficou entre nós
Luz inteira
(quase oitenta e dois anos),
Sol, visto de dentro.
 
O mar não sabia fábulas.
Ela sabia. 
 
Izabel (mãe) foi minha,
Teria sido Maria.
Tinha nome de rainha,
Mas nem em reino encantado,
O seu amor caberia.
 
Luz enterrada no chão.
Pássaro
Do tamanho de um anjo.

 
Jurandyr Bezerra, respeitado poeta paraense, detentor de prêmios nacionais e no exterior, só teve um livro editado, com este título que parece vir dos eleitos de Deus, de um lugar encantado onde só a pureza tem seu assento: Os limites do pássaro (Belém: Editora CEJUP, 67 p.,1993), com orelhas de Leonam Cruz e introdução de Fagundes de Menezes. Esta obra foi lançada na VI Bienal Internacional do Livro, Rio de Janeiro (1993) e na II Feira do Livro do Pará, em novembro (1993). Os limites do pássaro, ainda na condição de inédito, recebeu 3 prêmios nacionais: “Prêmio Guararapes”, da União Brasileira de Escritores, Rio de Janeiro como o melhor livro inédito de autor inédito em livro (1986), Comissão Julgadora: Fagundes de Menezes, Stella Leonardos e Reynaldo Valinho; 2º lugar do “Prêmio Carlos Drummond de Andrade (1991, Conselho Estadual de Cultura, Rio de Janeiro), 2º lugar no Concurso Nacional de Poesia Ruth Scott, do Sindicato 210 dos Escritores do Estado do Rio de Janeiro(1993)
 



Francisco da Cunha e Silva Filho é Pós-Doutor em Literatura Comparada (UFRJ). Doutor em Letras Vernáculas (Literatura Brasileira, UFRJ). Mestre em Literatura Brasileira (UFRJ). Bacharel e Licenciado em Português-Inglês (UFRJ). Titular de língua inglesa aposentado do Colégio Militar. Lecionou Literatura Brasileira, Língua Inglesa, Inglês Instrumental, cursos de Letras e Comunicação Social (Universidade Castelo Branco,Rio de Janeiro). Ensaísta, crítico literário, cronista, tradutor. Colaborador de jornais e revistas, sobretudo do Estado do Piauí. Entre outras, escreveu:: Da Costa e Silva: uma leitura da saudade(Editora da UFPI/Academia Piauiense de Letras, 1996; Da Costa e Silva: do cânone ao Modernismo. In: SANTOS, Francisco Venceslau dos. Geografias literárias – Confrontos: o local e o nacional. Rio de Janeiro: Editora Caetés, 2003, p. 113-124; Breve introdução ao curso de Letras: uma orientação. Rio de Janeiro: Editora Quártica, 2009; As ideias no tempo. Teresina: APL/Senado Federal, 2010;  Apenas memórias. Rio de Janeiro: Quártica; Contos selecionados de José Ribamar Garcia ( Org.). Rio de Janeiro: Litteris Editora,  2017. Cunha e Silva Filho é do Conselho Editorial e colunista (Letra Viva) do site  Entretextos. Assina o Blog  As ideias no tempo. Membro  efetivo da Academia Brasileira de Filologia, da União  Brasileira de  Escritores  (  UBE,  seção Piauí).

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *