
Goiabas podres caíam do pé
no meio da Via do Minério
Barreiro e seus mistérios
Estava a caminho de seu império
de certezas
Não tinha tempo para sofrer
Ser ou não ser?
Nem Hamlet,
Nem Meursault
Nem Werther
Apenas mais um Rogério
com seus boletos a pagar
no 5º dia útil.
***
Quando certa manhã, ela acordou de sonhos intranquilos
encontrou-se em sua cama metamorfoseada
em um inseto monstruoso
refém de calúnias, difamação
diferente de Gregor Samsa
não,
ela não estava sozinha,
dormia ao lado do seu futuro homicida
inseticida
e ela acolhida na escuridão
em breve se tornaria estatística…
Ninguém acreditava nela
***
A lâmina afiada do medo
tenta arrancar o áspero querer
Sonhos em vão
Nêsperas mofadas
Jogadas no chão
E o coração faminto sem entender
A realidade é um cão
Confuso e com sede
Crianças abandonadas
Dividem um papelão
Firmes na parede
Que as separam do abismo
A rua é um organismo
Doentio
E o destino vazio
Pra quem precisa lutar
para sobreviver.
Iris Pongeluppi (27/10/1994) é mineira de Belo Horizonte, fascinada pela arte, escreve prosa e poesia desde a infância. Autora do livro de contos Intangíveis (2018) e do livro de poesia Veemente como o Sol (2025) pela editora Minimalismos, já realizou uma exposição de poesia e participou de algumas antologias literárias. Ademais, já publicou textos (poemas e/ou contos) na Revista Barbante, Revista Lira, Beco dos Poetas, Ruído Manifesto, O Odisseu, Variações, Oásis Cultural, Mirada Janela Cultural, dentre outros.

Uma resposta
Gostei muito de lê-los. Usam uma semântica leve e coloquial para comporem temáticas pesadas do ponto dd vista ontológico. Parabéns, Íris, pela sua poesia.