4 poemas de Jandira Zanchi

Ilustração: Leonor Fini



Alvorecer

o coro da corte e do corte
tão áspero e dissimulado
como um arcanjo de covinhas
encovadas amealhadas de mel/ melífluos
barcos soltos nas grandes águas

solo arrepiado para um sonho
em soníferos aspirado e aspirante
ao céu ao léu ao envaidecido condor
de uma aérea corrida por entre os vagidos
virgens frescos famintos
meia-luz — na floresta florescida

querubins queixosos/mimosos
mimados irradiados de sorrisos
sisos semblantes siderados

é alma e alvorecer na quietude.


Tardio

nenhum verbo é copiado
nenhuma sentença é vazia

só é tardio o sol a chama da fúria e
o esquecimento….


Aliens

quando aleatória a lua
lá fora
externa extensão
aparada em cais e
casebres de além
aliens/albatrozes
vácuos de interrogações.


Factual

cozido o caldo é cru
o azeite (consciência) indigesto

vulnerável o mesmo mote
ambição e brevidade
ainda que arde (e se faz tarde)

nozes e nabucos — apoteose
cruzadas as espadas
espátulas para algum espetáculo
parco (um marco?) forasteiras ideias
de envenenamento e passado passatempo
no sol que arde uma pedra nua se cala

pois corredores azul bolinha de confrades e comadres
se esgueiram na luz do palácio em passada revista
— mesquinhos, não são os mesmos ou aqueles
outros e nesse foco mal assombrado/coalhado
revisão
em cada quinhão pois tocha e fogo se esbarram
no facho factual do cíclico percurso.

Poemas de a sexta hora (urutau, 2025).



Jandira Zanchi é poeta, ficcionista e editora. Tem nove livros publicados: os livros de poesia, A Sexta Hora, Fronteiras,  Luas de Maçã,  O Vapor da Noite, Área de Corte, Gume de Gueixa, A Janela dos Ventos e Balão de Ensaio, o livro de contos, Egos & Reversos. Atua há quinze anos em revistas literárias virtuais e participa da antologia 101 poetas paranaenses. 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *