
Caspar David Friedrich, grande expoente do romantismo alemão pintou ” O monge à Beira-mar” , quadro que coloca a natureza como protagonista da expressão artística, conforme o ideário deste movimento que trouxe o conceito do sublime, emergido da filosofia de Kant e Schiller.
Quem trouxe esta filosofia da estética no século XX foi o cineasta britânico David Lean (1908 – 1991), que além de criar os maiores épicos do cinema, fez da natureza uma força que protagoniza, em unicidade a personagens ricos e profundamente humanos, em dramas que espelham às questões essenciais ligadas ao humano. Daí sua proeza de unir o épico ao sentido existencialista, mais intimista e individual de personagens que vivem plenitudes de dores e alegrias imersas no real.
Lean era um conhecedor dos clássicos universais, especialmente os ingleses, criando obras-primas de humanismo, adaptando obras do grande escritor Charles Dickens, como Grandes Esperanças (1946) e Oliver Twist (1948), além de Doutor Jivago (1965), adaptado do clássico do escritor russo Boris Pasternak.
Lean é o diretor mais representado na lista da BFI dos 100 maiores filmes britânicos, tendo um total de sete filmes na lista. Como o próprio David Lean destacou, seus filmes são muitas vezes admirado por colegas e diretores como uma vitrine da arte do cineasta. Steven Spielberg e Martin Scorsese, em particular, são fãs dos filmes épicos de Lean, e já o citaram como uma de suas principais influências. Spielberg e Scorsese também ajudaram na restauração de 1989 de Lawrence da Arábia, que, após o lançamento, muito reviveu a sua reputação.
David Lean é o filósofo da luz em movimento, para quem – assim como a filosofia do oriente, que unifica o ser ao Cosmos, numa dimensão do infinito – o homem encerra infinitas possibilidades, que são escritas no drama das vidas, protagonizadas em seus filmes com poesia, arte e grandiosidade.
Andrey Luna Giron é poeta, músico, maestro, artista plástico, fotógrafo e budista. Tem 5 livros publicados de poesia – Cósmicas pela editora Protexto, Claritas, Mistério Aceso, Do Fundo Da Palavra e Terra Celeste pela editora Insight. Participou das Coletâneas 100 Anos da Semana de Arte Moderna e Amazônia em Prosa e Verso da AIAP Brasil. Gravou CD de música clássica contemporânea com composições próprias com o grupo Ethos Fractallis realizando concerto de lançamento no Museu Guido Viaro e distribuído nas mediatecas de Paris. Fez trilha sonora para cinema e tem várias composições orquestrais e para piano. Trabalha no Museu Guido Viaro onde faz recepção, monitorias e palestras semanais sobre cinema no Cineclube Espoletta deste Museu.
