Leḥzen: Nadir Social Lens

[…] Serenar o peito com o mundo.

Leḥzen (2020-2026)

Leḥzen (luto em tamazight) é um conjunto de poemas visuais criados durante sessões de mindfulness, na qual todas as sensações parecem manifestar-se no corpo-mente coletivo. Projeto criado em março de 2020, foi desenvolvido ao longo de seis anos e oficialmente apresentado ao público em março de 2026, no âmbito da exposição coletiva “Porque as Árvores Morrem de Pé” na Arquivo Livraria (Leiria, Portugal).



Leḥzen I
Influxo

[a.] Em contemplação / ouve o canto de Gaia / flutua, sem aviso.

[b.] A delicada e progressiva dissolução luminosa, por entre sombras que se alongam, abre caminhos para a imaginação.

[c.] Mapa das Paisagens Oníricas – Instruções:
Ao amanhecer: Esboçar um sorriso discreto;
Ao entardecer: Vaguear ao sabor do vento;
Ao anoitecer: Serenar o peito com o mundo.

Texto | Fotografia: Nadir Social Lens




Leḥzen II
Enquanto Vida

[a.] Sem forma / o sopro vital desperta / tudo anima.

[b.] A alternância entre a atmosfera alabastrina e o manto terrestre, cuja natureza permanece oculta, encontra as suas raízes em antigas referências desde há muito esquecidas.

[c.] A integração harmoniosa entre pólos antagónicos não é imediatamente perceptível. A transmutação do extraordinário, numa escala singular de matizes cinzas, pode ser semelhante a uma cordilheira.

Texto | Fotografia: Nadir Social Lens




Leḥzen III
Mundo Canoro

[a.] Hélio vivaz / Vertigem no vasto céu / Anamnésis arguta.

[b.] O brilho pulsante do Sol confere intensidade à sensação de vertigem celeste, enquanto que a rede de reminiscências, assumindo a aparência de uma floresta, emerge das águas profundas da Psique.

[c.] A essência da perda é algo que, frequentemente, permanece desconhecida até ser vivida por cada indivíduo.
Neste processo, a esperança e a resistência podem surgir enquanto auroras gentis, uma oportunidade para recomeçar.

Texto | Fotografia: Nadir Social Lens




Nascida em Lisboa com raízes que se estendem até Tavira, Nadir observa o turbilhão e a graciosidade da vida através de diferentes perspectivas; frequentemente rodeada por livros e cenários bucólicos, segundo consta. Iniciou a sua trajetória profissional em 2011, realizando o mapeamento de movimentos sociais em Portugal, e, em 2020, optou por migrar para a área de Artes Visuais Terapêuticas com o objetivo de promover o desenvolvimento de conexão consciente com a natureza, reforçando a importância de reconhecer a nossa relação integral com o meio ambiente e valorizar a sua preservação. A sua obra foi exibida em Lisboa, Porto, Barreiro e, mais recentemente, em Leiria, assim como participa em projetos internacionais onde a imagem e as palavras se interlaçam, tais como Fotografar Palavras e Haiku in Photography e, por último, Svápnyam, nīt’mâr”, /līmen / stilte/ e Leḥzen, projetos sob sua autoria e responsabilidade de curadoria. Cada poema visual oferece uma viagem iniciática através de temas relacionados com reminiscência, emoções e ecologia profunda.

Cara: https://cara.app/nadirsociallens

Uma resposta

  1. que belo :”[c.] Mapa das Paisagens Oníricas – Instruções:
    Ao amanhecer: Esboçar um sorriso discreto;
    Ao entardecer: Vaguear ao sabor do vento;
    Ao anoitecer: Serenar o peito com o mundo.” e que belas fotos e intimistas.

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