
Imagem gerada do shutterstock
Separei-lhe uma rosa. Elas trazem em si carinho e singeleza que poucas existências conseguem. É uma data a mais nos dias corridos, mas me veio essa ideia para sair da quase invariável rotina.
Então… uma rosa não se escolhe. Ela escolhe, aceitou-me. Salta às vistas fugindo de um plano de dimensões comuns e avança diante dos olhos mais delicada e rara. A Rosa me abraçou, aos poucos, mas inevitavelmente.
Uma rosa não é mais uma quando separada e destinada a alguém. Sai do campo dos adornos com sua cor, leveza dentre tantas outras rosas, dentre tantas outras conversões íntimas. É a rosa destinada a quem se quer agradar. Rosa me tomou.
Não foi erro a se reparar nem intenciono uma retratação – senão a dos dias habituais mesmo – com a escolha de um presente e a escolha do presente, rosa, pálpebra em pétala, abrindo-se em jardim ao encontro das retinas. E, como arauto a festa anuncia à vida, descortinando o sentimento, Rosa, rosa-me e me rubra e prende em abraços.
Seguro-na delicada, cristal deitado sobre cama de impulsos. Percebo o apuro da derme, estandartes, e as gotículas pontilhando o corpo; imponente e suave composição de cena ao olhar fito. Encantado e adornado na ruptura dos alardes que cercam a floricultura, repouso no estrato de Rosa. Pouso-a com uma das mãos. Reparo detalhes e a reservo em sorriso. Guardei-a em mim.
Rompem-se as separações sensoriais, tudo é simultâneo enquanto em Rosa; acolhida no íntimo ao ferro do momento no qual se plantou pintura, perfume, contato, silêncio ao sabor daquele dia, de agora e sempre sinestesias. Sentir é estar e ver, em Rosa, flor, perder-se, desflorar o ardor no instante próprio que se fez leito.
A rosa a ser presenteada carrega espinhos, mas não apenas isso. É beijo em matiz, contorno da corola em talo de dor passageira. A Rosa presente se dá quando em entrega. Avança pela pele com a venustidade a romper poros e penetrar na íris do raso que não consegue ir além dos aguilhões. Ela não se finda no talo em picos – atavio do encanto ao toque que preenche o ser de mais ser, sendo ambos um enlace em essência de Rosa.
Pode ser que rosas nasçam da dor ou da pontiaguda necessidade de defesa. Ainda, sejam para ser apreciadas a distância, mesmo curta, passando, por sua afabilidade e para mantê-la fora do tempo dos contatos sem assenso, das prisões. Ou, pode ser, um percurso dos lábios ao beijo.
Trago, oportuno, com uma das mãos, um abraço. Com a outra, percorro Rosa, que me leva ao apego – vasto enquanto simples, profundo e às vistas -. Invisto na serenidade que aparta da batalha dos dias. Busco acalento ao choro tolhido, fome de quem não sabia. Na presença, no colo, no calor, entre lençóis íntimos; facho entre as pernas, deleite e espasmos. Nos seios, calma e gozo, mais e tanto, em talo, pétala, bocas e encanto nos contornos e nas mãos de Rosa e nossos espinhos.

P3N4 – Nairton Pessoa do Nascimento; Formado em Letras/Português – UESPI; Especialista em Estudos Literários – UESPI; Professor de Linguagens – SEDUC-PI. Em processo de organização do livro de contos “Trechos de livros que não escrevi”. Alma inquieta e intuitiva, levado pela prosa e pela poesia, por vezes no espaço em que ambas se juntam.
Respostas de 6
Muito lindo parabéns meu amigo Deus te abençoe grandemente 👏🏽
Parabéns meu irmão!
Sucesso!
Você é um excelente escritor.
Muito bom, uma verdadeira obra de arte 👏🏻👏🏻👏🏻
Conto …. não somente conto…isso é prosa poética…texto lindo…bem reflexivo e estruturado …parabensssssss……
Parabéns, professor Nairton! Bela obra. Sucesso!
Excelente texto!!! Sensível e poético!!