
Pele azul, sobre a gema em sono,
Pele derretida em êxtase,
A pele do céu (do corpo e da alma do céu),
Cobre tua cabeça (a crepitar),
Tua asa, tua alma ,
Tua urna e ventre,
Tua espada e crepúsculo,
Tuas vísceras e mente,
Salva-se sempre em céu (massa abstrata – radiosa)
Mora em teu interior
Extensão de azuis diáfanos,
Anjos mortais,
Espreitando puras sepulturas (de céus escureceres),
Reverberando tempos,
Em camadas de trevas belas,
Encontrando asas soterradas,
Que erguem e pairam (feixes- brancas- moradas),
Até morrerem e renascerem nos gritos das vigílias,
Metálicas- derretidas na ausência,
Nas escuras massas,
Onde levantam fios-espadas de luz.
***
Condenado ao caminho,
Ao pisar nas mortes,
Nos ideais que queimam pés santificados,
Condenado ao cortejo das feras e dos anjos
Ancestrais levantados,
Ser colhido e vivificado
A cada respiro e pulso,
Agarrar-se ao precipício oculto
Do pensamento e sentido
Que vem como asa ofuscante,
Pássaro esquecido sobre a luz.
Colher a flor da lama,
Acalmar a dor,
Que traça o trajeto da miséria e fartura em escuros confins,
Até o vaso que jorra a luz dura,
Todas as flores mortas e as flores por vir,
Condenadas ao caminho,
Todos os caminhos ancestrais cobertos do fruto da carne,
Do pássaro esquecido,
Ele mesmo um raio e redenção.
***
Céu vivo, movediço e bem no alto,
Céu de barcas brancas e de luzes líquidas que sonham,
Céu no peito e na raiz,
No infinito que ama o amplexo do tempo,
Tocado pela matéria que vibra,
Que rompe a membrana do crepúsculo,
E encontra um ouro nunca nomeado,
Quanto pedras interiores (revivescer).
Tênue sopro da mortalha,
Esperando o ocaso, sonho (fornalha viva).
Aberto como um Lótus na lama sacra.
Andrey Luna Giron é poeta, músico, maestro, artista plástico, fotógrafo e budista. Tem 5 livros publicados de poesia –Cósmicas pela editora Protexto, Claritas, Mistério Aceso, Do Fundo Da Palavra e Terra Celeste pela editora Insight. Participou das Coletâneas 100 Anos da Semana de Arte Moderna e Amazônia em Prosa e Verso da AIAP Brasil. Gravou CD de música clássica contemporânea com composições próprias com o grupo Ethos Fractallis realizando concerto de lançamento no Museu Guido Viaro e distribuído nas mediatecas de Paris. Fez trilha sonora para cinema e tem várias composições orquestrais e para piano. Trabalha no Museu Guido Viaro onde faz recepção, monitorias e palestras semanais sobre cinema no Cineclube Espoletta deste Museu.
