Tengo que escribir estos textos mientras ella está viva, mientras no haya muerte o clausura, para tratar de entender este estar/no estar de una persona que se desarticula ante mis ojos.
Sylvia Molloy, Desarticulaciones, (2010)
/līmen / stilte/ (2026)
A liminaridade silenciosa pode catalisar um processo de ressignificação que nos desintegra e reconstrói,conduzindo a uma nova compreensão de si mesmo. A atribuição e integração de novos significados ao enigma indefinido não se limitam apenas a momentos de dificuldade ou delicadeza.
/līmen / stilte/ constitui o projeto final da série Cartografias do Silêncio Onírico (2020–2026). A sua elaboração ocorreu durante o período de convalescença após uma infecção respiratória aguda, entre fevereiro e março de 2026, sendo oficialmente apresentado em abril do mesmo ano.
O público é convidado a contemplar cada poema visual adotando o seguinte ritmo respiratório: inspirar por três segundos, expirar por seis segundos e, posteriormente, suster a respiração por seis segundos.
Estão preparados para mergulhar numa nova dimensão?

Sculptura | I. Separação
[a.] Luz da manhã / Prepara o círculo / Somos terra e ar.
[b.] Qualquer acto que passa a ser considerado um ritual, tal como acordar vagarosamente, ser agraciada pelo cântico matutino das aves enquanto se observa a chegada da aurora. Entrar em contacto com as diversas manifestações da mónada através de gestos simples.
[c.] Prática que tem como objectivo ativar a imaginação e as emoções, e não se limitar a um mero efeito, independentemente da sua natureza, no mundo físico.
Texto | Fotografia: Nadir Social Lens

Renova | II. Liminaridade
[a.] Dimensão nova / Entre sombras e vento / Eco de passos.
[b.] Mergulho súbito numa outra dimensão. Embora não esteja claramente localizada num ponto específico, há algo a acontecer neste momento.
[c.] Um processo intenso de transformação constante que nos desintegra e reconstitui, resultando numa nova versão viva.
Texto | Fotografia: Nadir Social Lens

Transformare | III. Reincorporação
[a.] Verde em punho / A chuva beija o chão / Vida renasce.
[b.] Percepção cíclica da essência, sentido e significado existencial.
[c.] Integrar o vago enigma do nosso devir. 𝘚𝘦𝘳-𝘦𝘴𝘵𝘢𝘳 vivo acontece quando nos aprofundamos de maneira consciente.
Texto | Fotografia: Nadir Social Lens

Commotio | Passo 1. Inspirar (3 seg.).
Texto | Fotografia: Nadir Social Lens

Catharsis | Passo 2. Expirar (6 seg.).
Texto | Fotografia: Nadir Social Lens

Acceptatio/Significatio | Passo 3. Suster (6 seg.).
Texto | Fotografia: Nadir Social Lens

Solivagant | Aproxima-te lentamente da floresta como quem regressa a casa.
Texto | Fotografia: Nadir Social Lens

Fata Morgana | Uma miragem navega entre o céu e o mar.
Texto | Fotografia: Nadir Social Lens

Zhōngguó jié/dào | Apesar de todas as circunstâncias, Ela retoma o seu caminho.
Texto | Fotografia: Nadir Social Lens

Nox | A noite parece mais tranquila agora.
Texto | Fotografia: Nadir Social Lens

Cena | Nos sonhos pacíficos, surge uma mesa.
Texto | Fotografia: Nadir Social Lens

Anima/Animus | Tornar pessoa.
Texto | Fotografia: Nadir Social Lens

Wu wei | Laços.
Texto | Fotografia: Nadir Social Lens

Neplanta | Entre vidas, entre dias.
Texto | Fotografia: Nadir Social Lens

Ātman/Brahman | Pausa para Respirar.
Texto | Fotografia: Nadir Social Lens

Nascida em Lisboa com raízes que se estendem até Tavira, Nadir observa o turbilhão e a graciosidade da vida através de diferentes perspectivas; frequentemente rodeada por livros e cenários bucólicos, segundo consta. Iniciou a sua trajetória profissional em 2011, realizando o mapeamento de movimentos sociais em Portugal, e, em 2020, optou por migrar para a área de Artes Visuais Terapêuticas com o objetivo de promover o desenvolvimento de conexão consciente com a natureza, reforçando a importância de reconhecer a nossa relação integral com o meio ambiente e valorizar a sua preservação. A sua obra foi exibida em Lisboa, Porto, Barreiro e, mais recentemente, em Leiria, assim como participa em projetos internacionais onde a imagem e as palavras se interlaçam, tais como Fotografar Palavras e Haiku in Photography e, por último, Svápnyam, nīt’mâr”, /līmen / stilte/ e Leḥzen, projetos sob sua autoria e responsabilidade de curadoria. Cada poema visual oferece uma viagem iniciática através de temas relacionados com reminiscência, emoções e ecologia profunda.
Uma resposta
Excelente trabalho!