
França – país das artes, das vanguardas, das épocas que atraíram jovens artistas do mundo todo, país do impressionismo, nas artes plásticas, e no cinema. País que aliou a era industrial com a arte de pura vanguarda, como fizera a União Soviética. País criador da fotografia e do cinema, que resplandeceram como novas formas de arte. País que deu voz na literatura às injustiças, que deu protagonismo às pessoas comuns, com escritores como Victor Hugo e Émile Zola, e que criou revoluções na música e nas artes, com o surrealismo, o cubismo e o dadaísmo e com as sonoridades luminosas e diáfanas de Fauré, Debussy e Ravel.
A França nos deu também um dos maiores filmes de todos os tempos, considerado o maior em seu país – Les Enfants du Paradis – (O Boulevard do Crime), dirigido por um mestre do cinema, rechaçado por cineastas da Nouvelle Vague em sua época, mas que ganhou com o tempo a merecida aclamação mundial. Este diretor foi Marcel Carné, mestre do Realismo Poético, mestre da sétima arte.
Durante a ocupação alemã da França na Segunda Guerra Mundial, Carné trabalhou na zona de Vichy, onde subverteu as tentativas do regime de controlar a arte; membros de sua equipe eram judeus, incluindo Joseph Kosma e o cenógrafo Alexandre Trauner. Nestas condições difíceis realizaram esta obra-prima, lançado após a Libertação da França.
Marcel Albert Carné nasceu em Paris em 18 de agosto de 1906 e faleceu em 31 de outubro de 1996, tendo sido uma figura chave do importante movimento denominado Realismo Poético Francês, que tinha também cineastas como Jean Renoir, Jean Grémillon, Jean Vigo, Jacques Prévert, Pierre Chenal e Jacques Feyder de quem foi assistente.
Carné dirigiu outras obras-primas do movimento como Portas da Noite, Cais das sombras, Trágico amanhecer e Hotel do Norte.
Importante em sua carreira foi a ligação bem-sucedida com o poeta e roteirista surrealista Jacques Prévert . Essa relação de colaboração durou mais de uma década, durante a qual Carné e Prévert criaram seus filmes mais importantes.
Sua arte retrata a busca da vida real, com seus sofrimentos atemporais, de solidão, de dor existencial, de desencontros, de paixões, de morte, de mazelas sociais, mas sempre retratadas com genuína poesia, com beleza inaudita, com calor humanista. Uma arte de sons e imagens que reverencia a vida em sua essência, e transforma dramas em energia de vida, em raiz de esperança.
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Andrey Luna Giron é poeta, músico, maestro, artista plástico, fotógrafo e budista. Tem 5 livros publicados de poesia – Cósmicas pela editora Protexto, Claritas, Mistério Aceso, Do Fundo Da Palavra e Terra Celeste pela editora Insight. Participou das Coletâneas 100 Anos da Semana de Arte Moderna e Amazônia em Prosa e Verso da AIAP Brasil. Gravou CD de música clássica contemporânea com composições próprias com o grupo Ethos Fractallis realizando concerto de lançamento no Museu Guido Viaro e distribuído nas mediatecas de Paris. Fez trilha sonora para cinema e tem várias composições orquestrais e para piano. Trabalha no Museu Guido Viaro onde faz recepção, monitorias e palestras semanais sobre cinema no Cineclube Espoletta deste Museu.
