Infantário, poema de G. Monteiro



Dreamstime – Kasezo – Harmonia e equilíbrio entre a energia




o outro de mim noutro eu mesmo
nunca nos encontramos de estarmos juntos
nosso tripé
 
a pendência dos dois —
se estou sozinho
quer me procurar
ocupar sua vida comigo
e de novo nosso egoísmo
por foro íntimo nos separamos
 
no contrário de nós
a coincidência
um ou outro
confusos feito os mesmos
 
um me chama
e como posso ser eu se o sou?
o outro reclama
e como me posso ser novamente sem o ser?
sou eu me sendo o tempo todo
também quando cansado de mim?
 
aprender a me ser somado
diminui meu inteiro
acrescenta algum de nós
 




G. Monteiro é poeta, contista, ensaísta e um dos editores e colunistas do site Amaité Poesia & Cia. Editou, junto com o escritor João Pinto, o espaço virtual Contos entre Paisagens, de 2019 a 2023. Seus textos integram várias coletâneas e antologias através de concurso literário. Escreveu o livro de contos Paradeiro (2016), os de poesias Depois das horas (2021), Gestos do nada (Litteralux, 2026) e O direito à imagem (no prelo).

Respostas de 2

  1. No percurso da busca, G. Monteiro se acha e se reconhece em mais de si e no encanto e combustível que é a própria busca – parte de si mesmo e dos eus que encontra e se reconhece em seguir.

    1. Muto bem pontudas suas impressões, Nairton!
      E achar-se é um eterno e necessário perder-se. Porque, para vivermos, precisamos sempre nos procurar mais e mais. Por isso, o que escrevo, tanto na prosa quanto na poesia, é indefinido, escorregadio, precário de terrenos decisivos. A interioridade é tão percorrível quanto inesgotável. Acessível e inesgotável. Clarice Lispector disse “eu sou uma pergunta”. Como muita proximidade, eu escrevo sempre: “eu sou minhas etapas.”

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