
Um dia ainda vou sorrir
mostrar meus dentes
para aqueles que me acham sem eles.
Será um sorriso assim
sem sorriso
sem graça
como o próprio ato de sorrir.
Mas será um sorriso
ainda que
pálido-amarelado-mofado.
Virá do acaso
do asco
de existir.
Um sorriso amofinado
para ser rido talvez
no dia de finados.
Um sorriso sarcástico
irônico e crônico
como o tédio de sorrir.
Virá do inesperado
pode ser numa festa
numa mesa de bar
numa missa ou
num velório de um amigo.
Não haverá contração do rosto
e muito menos
sinais de rugas nos olhos.
Será assim
como uma contração de parto,
nascido suado.
Expressão do estômago ao vomitar.
O Acaso das Manhãs

Milton Rezende, poeta e escritor, nasceu em Ervália (MG), em 23 de setembro de 1962. Viveu parte da sua vida em Juiz de Fora (MG), onde foi estudante de Letras na UFJF, depois morou e trabalhou em Varginha (MG). Funcionário público aposentado, reside em Campinas (SP). Escreve em prosa e poesia e sua obra consiste de quinze livros publicados, quatro e-books e tem um blog e um site.
Fortuna crítica: “Tempo de Poesia: Intertextualidade, heteronímia e inventário poético em Milton Rezende”, de Maria José Rezende Campos (Penalux, 2015).
www.miltoncarlosrezende.com.br
http://estantedopoetaedoescritor.blogspot.com